Golpe da falsa carta de crédito teria feito mais de 700 vítimas em Parnaíba; prejuízo pode chegar a R$ 4 milhões
Levantamento preliminar aponta a existência de mais de 700 vítimas apenas no município de Parnaíba, com prejuízo estimado em até R$ 4 milhões.
PARNAÍBA, PI -
Novas vítimas do grupo criminoso especializado em golpes financeiros por meio da
venda de cartas de crédito começaram a procurar a polícia no
Piauí e no Maranhão, ampliando o alcance das investigações. As denúncias
reforçam a suspeita de um esquema interestadual com atuação estruturada e
prejuízos milionários.
Em Parnaíba, a loja ligada ao grupo foi fechada
na manhã da última quinta-feira sob a justificativa de uma suposta dedetização.
No entanto, há suspeita de que o fechamento tenha ocorrido com o objetivo de
apagar provas relacionadas aos golpes aplicados na região. Levantamento
preliminar aponta a existência de mais de 700 vítimas apenas no município, com
prejuízo estimado em até R$ 4 milhões.
Familiares de funcionários que atuaram nas empresas do empresário Ricardo Dias de Sousa relataram condições de trabalho irregulares. Segundo os depoimentos, apenas a recepcionista possuía carteira assinada. Os demais eram obrigados a trabalhar de segunda a sábado, incluindo feriados, com metas diárias rígidas impostas pela direção. Ainda de acordo com os relatos, os empregados eram coagidos a utilizar as próprias redes sociais para divulgar as empresas. Aqueles que se recusavam ou não atingiam as metas eram humilhados publicamente e, em muitos casos, demitidos.
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Com o avanço das investigações, novos nomes surgem no esquema. O vendedor Luiz Eduardo da Silva Rocha, já indiciado no inquérito presidido pelo delegado Sérgio Alencar, seria sócio de pelo menos quatro empresas ligadas a Ricardo Dias de Sousa, com atuação no Piauí e em São Luís (MA). Luiz Eduardo também responde a outro inquérito por estelionato.
Um coordenador geral da empresa também passou a ser investigado. Ele foi visto jantando com Ricardo Dias de Sousa em um hotel de luxo na zona Leste de Teresina, na última segunda-feira, um dia antes da prisão do empresário. Outro nome citado nas apurações é o de um empresário residente em São Luís, apontado como líder do esquema criminoso. No fim do ano passado, ele teria promovido uma confraternização para funcionários em Luís Correia, no litoral do Piauí, com gastos estimados em cerca de R$ 100 mil.
Para enganar os clientes, os líderes do esquema
obrigavam os funcionários a oferecer cartas de crédito de valores
elevados, exigindo uma entrada média de R$ 5 mil, com a promessa de
entrega da carta em até três meses. Quando o prazo expirava, supervisores
passavam a afirmar que os vendedores haviam agido de má-fé, prometendo a
demissão desses funcionários para tentar afastar a responsabilidade da empresa.
Após a deflagração das investigações, a esposa de Ricardo, o coordenador geral e outros integrantes do grupo desativaram seus perfis nas redes sociais, o que também é analisado pela polícia.
Diante do crescimento no número de denúncias,
o delegado Sérgio Alencar avalia
solicitar reforço policial para aprofundar as investigações e desarticular o
esquema interestadual. Em Parnaíba, diversas vítimas procuraram a
polícia após a divulgação do caso na televisão. Já em Timon (MA), a Polícia
Civil também registrou um alto volume de boletins de ocorrência nas últimas
horas. As investigações seguem em andamento.
Edição: REDAÇÃO (Portal Boca do Povo)
Fonte: Dênis Constantino - MEIO NEWS



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