Piauí assume 2º lugar nacional em autorizações de empréstimos e acende alerta sobre sustentabilidade fiscal
Com R$ 16,1 bilhões em créditos autorizados, estado governado por Rafael Fonteles supera potências como Minas Gerais e Paraná; críticos questionam capacidade de pagamento a longo prazo.
TERESINA, PI
– Um levantamento recente sobre a expansão do crédito concedido pela União
coloca o Piauí em uma posição de destaque preocupante no cenário econômico
nacional. Sob a gestão do governador Rafael Fonteles (PT), o estado obteve aval
para contratar R$ 16,1 bilhões em operações de crédito, tornando-se o
segundo maior tomador de empréstimos do país, ficando atrás apenas de São
Paulo, que lidera com R$ 22,7 bilhões.
O volume financeiro destinado ao Piauí impressiona
quando comparado a estados com economias mais robustas e populações maiores.
Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, por exemplo, registraram autorizações de R$
3,9 bilhões e R$ 3,7 bilhões, respectivamente — valores quase quatro vezes
menores que o montante piauiense.
A maior parte dessas operações conta com a garantia
do Tesouro Nacional. Na prática, isso significa que o governo federal atua como
"fiador" do Piauí. Caso o estado não consiga honrar as parcelas, a
União assume o pagamento, mas retém repasses constitucionais (como o FPE) para
se ressarcir, o que pode paralisar serviços essenciais no futuro.
Segundo o levantamento, quase todo o valor
autorizado ao Piauí já foi efetivamente contratado pela gestão estadual,
acelerando o ritmo de endividamento.
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| Governador Rafael Fonteles /Foto: ASCOM |
O ponto central da controvérsia política gira em
torno da aplicação desses recursos. Enquanto o governo estadual defende que o
crédito é necessário para acelerar obras de infraestrutura e tecnologia, a
oposição e analistas econômicos levantam dúvidas sobre a base econômica do
estado para suportar tais dívidas.
"Há uma diferença fundamental entre se
endividar para gerar riqueza e se endividar para custear a máquina ou realizar
obras sem retorno imediato. Dívida hoje é, inevitavelmente, imposto
amanhã", afirma o texto que circula em grupos de análise política e
econômica do estado.
Comparativo de autorizações (R$
Bilhões):
- São
Paulo: 22,7
- Piauí:
16,1
- Bahia:
15,6
- Ceará:
9,5
- Pernambuco:
8,6
- Paraná:
6,6
- Santa
Catarina: 4,8
A disparidade entre o PIB do Piauí e o volume de
empréstimos contratados sugere um cenário de dependência extrema de recursos
externos. Para os críticos do sistema atual, a estratégia de "viver de
crédito" transfere para as próximas gestões e para o contribuinte
piauiense o ônus de uma conta que pode se tornar impagável sem uma reforma
estrutural profunda.
O espaço segue aberto para que o Governo do Estado
do Piauí se manifeste sobre o cronograma de pagamentos e a destinação detalhada
dos recursos citados.
Da REDAÇÃO (Portal Boca do Povo)

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