terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

QUEM VAI PAGAR A CONTA?

Piauí assume 2º lugar nacional em autorizações de empréstimos e acende alerta sobre sustentabilidade fiscal

Com R$ 16,1 bilhões em créditos autorizados, estado governado por Rafael Fonteles supera potências como Minas Gerais e Paraná; críticos questionam capacidade de pagamento a longo prazo. 

TERESINA, PI – Um levantamento recente sobre a expansão do crédito concedido pela União coloca o Piauí em uma posição de destaque preocupante no cenário econômico nacional. Sob a gestão do governador Rafael Fonteles (PT), o estado obteve aval para contratar R$ 16,1 bilhões em operações de crédito, tornando-se o segundo maior tomador de empréstimos do país, ficando atrás apenas de São Paulo, que lidera com R$ 22,7 bilhões.

O volume financeiro destinado ao Piauí impressiona quando comparado a estados com economias mais robustas e populações maiores. Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, por exemplo, registraram autorizações de R$ 3,9 bilhões e R$ 3,7 bilhões, respectivamente — valores quase quatro vezes menores que o montante piauiense.

A maior parte dessas operações conta com a garantia do Tesouro Nacional. Na prática, isso significa que o governo federal atua como "fiador" do Piauí. Caso o estado não consiga honrar as parcelas, a União assume o pagamento, mas retém repasses constitucionais (como o FPE) para se ressarcir, o que pode paralisar serviços essenciais no futuro.

Segundo o levantamento, quase todo o valor autorizado ao Piauí já foi efetivamente contratado pela gestão estadual, acelerando o ritmo de endividamento.

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Governador Rafael Fonteles /Foto: ASCOM

O ponto central da controvérsia política gira em torno da aplicação desses recursos. Enquanto o governo estadual defende que o crédito é necessário para acelerar obras de infraestrutura e tecnologia, a oposição e analistas econômicos levantam dúvidas sobre a base econômica do estado para suportar tais dívidas.

"Há uma diferença fundamental entre se endividar para gerar riqueza e se endividar para custear a máquina ou realizar obras sem retorno imediato. Dívida hoje é, inevitavelmente, imposto amanhã", afirma o texto que circula em grupos de análise política e econômica do estado.

Comparativo de autorizações (R$ Bilhões):

  • São Paulo: 22,7
  • Piauí: 16,1
  • Bahia: 15,6
  • Ceará: 9,5
  • Pernambuco: 8,6
  • Paraná: 6,6
  • Santa Catarina: 4,8

A disparidade entre o PIB do Piauí e o volume de empréstimos contratados sugere um cenário de dependência extrema de recursos externos. Para os críticos do sistema atual, a estratégia de "viver de crédito" transfere para as próximas gestões e para o contribuinte piauiense o ônus de uma conta que pode se tornar impagável sem uma reforma estrutural profunda.

O espaço segue aberto para que o Governo do Estado do Piauí se manifeste sobre o cronograma de pagamentos e a destinação detalhada dos recursos citados.

Da REDAÇÃO (Portal Boca do Povo)

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