segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

POLÊMICA

Dossiê Irmão Filho: O vereador que desafia a física e o Regimento Interno em Murici dos Portelas

Que autoridade moral possui um legislador para cobrar transparência da Prefeitura se ele mesmo usufrui de um benefício que o Regimento Interno proíbe? 

MURICI DOS PORTELAS, PI - O que era uma denúncia de "servidor fantasma" agora ganha contornos de escândalo jurídico. O portal Boca do Povo teve acesso exclusivo aos contracheques do vereador Aureliano Lima Miranda, o Irmão Filho (Podemos), e ao Regimento Interno da Câmara de Murici dos Portelas. O cruzamento dos dados revela não apenas uma imoralidade política, mas uma série de possíveis ilegalidades que podem custar o mandato do parlamentar.

Documentos oficiais confirmam que o vereador foi lotado na Secretaria de Educação (SEDUC), em Teresina, desde fevereiro de 2025. Recebendo um salário bruto de R$ 1.518,00, Irmão Filho deveria estar cumprindo expediente na capital, a centenas de quilômetros de sua cidade.

A ironia é fina: enquanto o vereador usa suas redes sociais para fiscalizar e apontar “irregularidades” na gestão municipal, ele mesmo figura em uma folha de pagamento estadual sem que ninguém o veja bater o ponto na SEDUC.

A lei é clara: O que diz o Regimento Interno

Baseado nos documentos da própria Câmara Municipal, a situação de Irmão Filho é insustentável perante a lei:

  • Incompatibilidade de horários: O Artigo 249 (Parágrafo Único) do Regimento é taxativo: se não houver compatibilidade de horários, o vereador deve se afastar do cargo público para exercer o mandato. Como trabalhar em Teresina e legislar em Murici ao mesmo tempo?
  • Vantagens indevidas: O Artigo 244, inciso II, classifica como falta de decoro a "percepção de vantagens indevidas". Receber dinheiro público sem trabalhar (o famoso "servidor fantasma") encaixa-se perfeitamente nesta infração.
  • Risco de cassação: O Regimento prevê que a prática de irregularidades graves ou a infração das proibições de cargos remunerados (Art. 249, I, "b") podem levar à perda do mandato.

Vereador Irmão Filho, governador Rafael Fonteles e deputado Rubens Vieira. / Foto: Reprodução

Apoio político ou "Mensalinho"?

A denúncia aponta que a portaria na SEDUC seria uma "moeda de troca" pelo apoio do vereador ao deputado estadual Rubens Vieira (PT). Fotos recentes mostram o vereador em clima de total afinidade com o deputado e o governador Rafael Fonteles, confirmando a proximidade política.

A pergunta que fica:

Que autoridade moral possui um legislador para cobrar transparência da Prefeitura se ele mesmo usufrui de um benefício que o Regimento Interno proíbe?

Enquanto os contracheques de fevereiro a novembro de 2025 mostram o dinheiro caindo regularmente na conta do "Irmão Filho", a população de Murici dos Portelas aguarda para saber se a Câmara Municipal terá coragem de aplicar o seu próprio Regimento e investigar o vereador que se diz fiscal do povo, mas que, na prática, parece ser apenas mais um privilegiado pelo sistema.

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Da REDAÇÃO (Portal Boca do Povo)

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