terça-feira, 4 de agosto de 2026

ENCALHOU?

Há 40 dias esperando a maré: A epopeia do navio parado que virou monumento ao ar livre no litoral do Piauí

A torcida que inclui dos entusiastas aos críticos mais ferozes é uma só: que esse abençoado transbordo finalmente aconteça. 

LUÍS CORREIA, PI - O navio transatlântico repousa majestosamente em alto-mar, banhado pelo sol e embalado pelas ondas no litoral piauiense. Uma verdadeira obra de arte da navegação... parada. Completamente imóvel. Há mais de 40 longos dias.

A tão alardeada "revolução logística" do minério piauiense parece ter sido redesenhada em ritmo de cruzeiro de férias. A promessa era simples: a embarcação menor faria o vaivém entre o terminal e o navio gigante para transferir a carga. Na prática? Nem a primeiríssima viagem foi concluída. A essa altura, se a logística dependesse de pescadores de jangada, é bem provável que a carga já estivesse cruzando o Atlântico.

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Enquanto a imensa engrenagem do progresso permanece engasgada na primeira marcha, a apreensão no setor mineral só faz crescer:

  • O drama de Piripiri: As mineradoras da região, que ingenuamente esperavam exportar minério, ganharam de presente uma paralisação total das vendas. O "novo modelo logístico" funciona tão bem que conseguiu a proeza de travar até o que já funcionava.
  • Mar de dúvidas: Cada dia extra de espera alimenta a desconfiança sobre a real capacidade da embarcação de transbordo e o tamanho do prejuízo financeiro acumulado. Afinal, diária de navio parado em alto-mar não se paga com boas intenções.

Hoje, 4 de agosto, a situação é tão surreal que uniu até gregos e troianos. A torcida — que inclui dos entusiastas aos críticos mais ferozes — é uma só: que esse abençoado transbordo finalmente aconteça. Não por milagre, mas para ver se o projeto sai do campo da ficção científica e entrega, ao menos, uma resposta concreta antes que o navio comece a criar raízes no fundo do oceano.

Da REDAÇÃO

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