Há 40 dias esperando a maré: A epopeia do navio parado que virou monumento ao ar livre no litoral do Piauí
A torcida que inclui dos entusiastas aos críticos mais ferozes é uma só: que esse abençoado transbordo finalmente aconteça.
LUÍS CORREIA, PI -
O navio transatlântico repousa majestosamente em alto-mar, banhado pelo sol e
embalado pelas ondas no litoral piauiense. Uma verdadeira obra de arte da
navegação... parada. Completamente imóvel. Há mais de 40 longos dias.
A tão alardeada "revolução logística" do
minério piauiense parece ter sido redesenhada em ritmo de cruzeiro de férias. A
promessa era simples: a embarcação menor faria o vaivém entre o terminal e o
navio gigante para transferir a carga. Na prática? Nem a primeiríssima viagem
foi concluída. A essa altura, se a logística dependesse de pescadores de
jangada, é bem provável que a carga já estivesse cruzando o Atlântico.
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Enquanto a imensa engrenagem do progresso permanece
engasgada na primeira marcha, a apreensão no setor mineral só faz crescer:
- O
drama de Piripiri: As mineradoras da região, que
ingenuamente esperavam exportar minério, ganharam de presente uma
paralisação total das vendas. O "novo modelo logístico" funciona
tão bem que conseguiu a proeza de travar até o que já funcionava.
- Mar
de dúvidas: Cada dia extra de espera alimenta
a desconfiança sobre a real capacidade da embarcação de transbordo e o
tamanho do prejuízo financeiro acumulado. Afinal, diária de navio parado
em alto-mar não se paga com boas intenções.
Hoje, 4 de agosto, a situação é tão surreal que uniu
até gregos e troianos. A torcida — que inclui dos entusiastas aos críticos mais
ferozes — é uma só: que esse abençoado transbordo finalmente aconteça. Não por
milagre, mas para ver se o projeto sai do campo da ficção científica e entrega,
ao menos, uma resposta concreta antes que o navio comece a criar raízes no
fundo do oceano.
Da REDAÇÃO

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