Rafael Fonteles nomeou para estatal servidor que já era investigado pela CGE por sumir do trabalho há 2 anos
Decreto assinado por Fonteles remanejou auxiliar de serviços gerais para companhia sediada em Teresina, mesmo sabendo que servidor já era apontado como ausente do trabalho há mais de dois anos. Ele mora a 300 km da capital, em Buriti dos Lopes.
TERESINA, PI - O Governo do Piauí sabia, desde
outubro de 2025, que o servidor Alan Ricardo Costa Araújo estava ausente do
trabalho havia mais de dois anos, e ainda assim, em fevereiro de 2026, o
governador Rafael Fonteles assinou decreto cedendo o mesmo servidor a uma nova
estatal, a Companhia Ferroviária e de Logística do Piauí (CFLP), sediada em
Teresina.
O problema: Alan Ricardo reside em Buriti dos Lopes,
município a cerca de 300 km da capital. A distância levanta a pergunta óbvia,
como um servidor que já não comparecia ao trabalho em Parnaíba, distante 35 km
de sua cidade, morando tão longe da nova lotação, passaria a exercer funções na
estatal?
A cronologia expõe a contradição. Em 29 de outubro
de 2025, a Secretaria de Saúde informou formalmente à Corregedoria-Geral do
Estado que o servidor, apesar de lotado no Hospital Estadual Dirceu Arcoverde
(HEDA) em Parnaíba, simplesmente não prestava serviços ali, sem qualquer
registro de atividade desde julho de 2023. Passados quatro meses dessa
comunicação oficial, em vez de providências para apurar e coibir a
irregularidade, o Palácio de Karnak optou por dar ao mesmo servidor uma nova
cessão, com ônus para o órgão de origem.
CLIQUE AQUI e siga o BOCA DO POVO no INSTAGRAM⠀
Só em março de 2026, um mês depois da nova nomeação,
a CGE finalmente instaurou o processo disciplinar que resultou, em abril, na
indiciação de Alan Ricardo por abandono de cargo, com base em ausência
ininterrupta de mais de dois anos.
Para especialistas em gestão pública, o episódio
simboliza como falhas de controle sobre o quadro de servidores podem se
perpetuar dentro da própria máquina estadual: o mesmo Estado que reconhecia, em
documentos internos, a ausência do funcionário seguiu movimentando sua folha de
pagamento e sua lotação como se nada estivesse ocorrendo, inclusive abrindo uma
nova vaga de cessão para alguém já sob suspeita de sequer aparecer no trabalho.
Procurado, o Governo do Piauí não respondeu, até o
fechamento desta matéria, sobre os critérios que levaram à cessão do servidor à
CFLP em meio à apuração em curso.
Da REDAÇÃO



Nenhum comentário:
Postar um comentário